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TÉCNICAS DE ANÁLISE DE RISCOS

Imagem de um estudo de propagação de incêndio com a distribuição de temperatura (isotérmicas) decorrente da simulação de um "jet fire" em uma plataforma offshore
Observação:  Este artigo, de autoria de Gerardo Portela, foi publicado também pela AGÊNCIA ELSEVIER, especializada em Ciência e Tecnologia.  A ELSEVIER (de origem holandesa) é uma das mais antigas e conceituadas casas editoriais do mundo nas áreas de Ciência, Tecnologia e Áreas da Saúde.  É a principal referência mundial em publicações nas áreas de saúde e ciência & tecnologia, reconhecida por sua qualidade inovação, expertise e integridade.  Publicaram com a ELSEVIER os mais estimados cientistas, especialistas e doutores – de Galileu a Julio Verne e Stephen Hawking.  Gerardo Portela é autor da ELSEVIER tendo publicado 2 livros na área de Gerenciamento de Riscos e artigos na área de aviação, ciência e tecnologia.  Acesse a publicação deste artigo diretamente no site da AGÊNCIA ELSEVIER pelo link:

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O que é um Estudo de Análise de Riscos ?

O termo “Análise de Riscos” tem sido citado, em especial devido a receios quanto ao cumprimento dos requisitos de segurança em obras públicas executadas sob grande pressão de prazos e interesses econômicos. O livro “Gerenciamento de Riscos na Indústria de Petróleo e Gás” inclui um capítulo (7) totalmente dedicado a explicar quais são as principais técnicas de análise de riscos e em que situações cada uma delas se aplica. Para facilitar o entendimento sobre o tema, este artigo faz um pequeno resumo dos nomes e características das principais técnicas de análise de riscos aplicáveis não só à indústria de petróleo e gás mas a qualquer empreendimento tecnológico.

Técnicas de Análise de Riscos

Uma das principais maneiras de classificar estas técnicas é pertinente a duas linhas de estudo que mutuamente se complementam

  • Técnicas QUALITATIVAS: baseadas na experiência, percepção e conhecimento técnico operacional.
  • Técnicas QUANTITATIVAS: visando promover maior objetividade no tratamento de questões relacionadas a acidentes, estas técnicas “tentam” quantificar os riscos através de modelagem matemáticas, associando-os a números..
  • Técnicas qualitativas e quantitativas se complementam e os empreendimentos tecnológicos devem, tanto quanto possível, utilizar ferramentas qualitativas e quantitativas para o gerenciamento de riscos. A seguir apresentamos algumas das mais conhecidas técnicas de análise de riscos.
Análise Preliminar de Riscos (APR)

É uma técnica qualitativa conhecida internacionalmente pelo nome PHA – Preliminary HazardAnalysis, e tem como objetivo a identificação dos cenários acidentais a serem postulados nos estudos e análises subsequentes do empreendimento tecnológico. A APR identifica estes cenários suas causas e consequências. A aplicação da técnica consiste em reunir um grupo multidisciplinar de especialistas associados ao projeto e à operação da instalação para sugerir adequações, correções e a inclusão de salvaguardas para cada risco identificado.  Embora seja uma técnica qualitativa, uma matriz de riscos pode ser utilizada como referência na classificação de riscos em alto, moderado ou baixo.

Análise Preliminar de Perigos (APP ou Hazid)

Enquanto que o termo “risco” está associado ao quão provável é um acidente, o termo “perigo” está associado à ameaça propriamente dita, por exemplo, a presença de combustível, ocorrências de raios, grandes ondas de uma ressaca, etc. A análise preliminar de perigos (ou Hazid – Hazard Identification Study) é uma técnica qualitativa semelhante à APR, porém ainda mais geral, levando em consideração também cenários de perigos relacionados aos acidentes de origem externa ao empreendimento tecnológico (como por exemplo catástrofes naturais e quedas de aeronaves sobre a instalação).

Análise de Perigos Operacionais (Hazop)


Hazop (Hazard Operability Study) é uma das técnicas qualitativas de análise de riscos mais utilizadas na indústria e tem como objetivo identificar cenários acidentais gerados por falhas operacionais, riscos e perigos decorrentes das OPERAÇÕES, bem como possibilidades de desvios nas variáveis de processo e suas consequências.

‘Brainstorming’ (tempestade cerebral)


O brainstorming é uma livre discussão entre os componentes de um grupo de especialistas (técnica qualitativa). Um facilitador prepara alguns pontos de interesse ou questões importantes para a segurança a fim de orientar a discussão e evitar que os participantes se percam em relação ao objetivo da aplicação da técnica. O sucesso do brainstorming depende diretamente da capacidade e conhecimento técnico do facilitador tanto sobre a técnica quanto sobre o problema que está sendo analisado.

Listas de Verificação (‘check-list’)


O checklist é uma lista de verificação de itens importantes relacionadas aos perigos e às causas de acidentes conhecidos com base na experiência técnica anterior. A experiência técnica é construída a partir de análises de riscos anteriores realizadas em sistemas com similaridades ou a partir da operação direta de equipamentos similares ou ainda a partir de acidentes que ocorreram no passado.

FMEA (failure modes and effects analysis)


FMEA (ou análise dos modos de falhas e seus efeitos) é uma técnica qualitativa a ser aplicada de “baixo para cima” (relativamente à sequência operacional a ser estudada, das tarefas mais básicas para as de nível mais elevado) com a finalidade de investigar as situações possíveis em que os componentes básicos de um sistema podem falhar no cumprimento de seu objetivo definido em projeto. Esta falha tanto pode ser ao nível de equipamento/componente como pode ser ao nível de uma função.

‘WHAT-IF’ (swift – structured what-if technique)


A técnica qualitativa Swift foi originalmente desenvolvida como uma técnica mais simplificada, eficiente e alternativa em relação ao Hazop. Como o Hazop, o Swift envolve equipes multidisciplinares de especialistas e um facilitador que deve liderar a aplicação da técnica. Uma das diferenças em relação ao Hazop é que a técnica explora elementos de uma atividade prévia de brainstorming sendo, entretanto, conduzida em um nível mais elevado de descrição dos sistemas em avaliação.

Análise de Camadas de Proteção (LOPA)


Lopa (Layer of Protection Analysis) é uma técnica de análise quantitativa de riscos que utiliza informações sobre os perigos, severidade, causas iniciadoras, dados de probabilidade de ocorrência de eventos bem como informações obtidas a partir dos resultados de outras técnicas previamente aplicadas, como por exemplo, o Hazop.

Estudos e Análises de Consequências

Os estudos e análises de consequências são aqueles em que são avaliados os cenários acidentais mais severos, desconsiderando as salvaguardas implementadas ou estabelecidas em projeto para evitá-los. Geralmente são estudos quantitativos cujo objetivo é estudar as consequências de cenários acidentais catastróficos, para os quais o empreendimento tecnológico já está, em teoria, protegido por salvaguardas de projeto.

Estudo de Propagação de Incêndio


O estudo quantitativo de propagação de incêndio supõe que um cenário acidental com um incêndio de grandes proporções é estabelecido na instalação. A escolha do cenário acidental a ser estudado pode ser feita com base nos dados das análises de riscos anteriores. Existem várias ferramentas computacionais capazes de realizar uma investigação da propagação de um incêndio, mas as ferramentas mais usuais são as que se baseiam em computação fluidodinâmica (CFD – Computational Fluid Dynamics).

Estudo de Dispersão de Gases e Fumaça

Os estudos quantitativos de dispersão de gases são realizados através de ferramentas computacionais similares às utilizadas nos estudos de propagação de incêndio (computação fluidodinâmica). Uma das principais aplicações dos estudos de dispersão de gases é fornecer informações complementares para auxiliar os especialistas que estudam o melhor posicionamento dos detectores de gás.


Imagem 3D de um estudo de dispersão de gases que reproduz um cenário de vazamento de gás em plataforma offshsore (computação fluidodinâmica - CFD)


Estudo de Explosão

As ferramentas computacionais para realização dos estudos quantitativos de explosão são um pouco mais sofisticadas, embora também utilizem a computação fluidodinâmica como acontece nos estudos de propagação de incêndio e dispersão de gases. Esta sofisticação justifica-se pela maior complexidade dos fenômenos relacionados com a explosão.

Estudo de Escape, Abandono e Resgate (EERA)


O sistema de escape e abandono é o sistema de segurança mais importante para salvar vidas. Totalmente voltado para proteger as pessoas presentes nos cenários acidentais e em todo o empreendimento tecnológico, a retirada de agentes (pessoas) ocupa posição de destaque entre os componentes da linha estratégica de gerenciamento de riscos. Normas internacionais exigem para alguns empreendimentos tecnológicos estudos específicos sobre as condições de escape e abandono das instalações.

Análises de Perda de Contenção de Líquidos e Controle Ambiental


Podem acontecer emergências que resultem em perda de contenção ou descarte de óleo ou agentes poluidores para o meio ambiente. Perdas de contenção que possam levar a danos ao meio ambiente devem ter salvaguardas previstas em projeto, mas um cenário desse tipo infelizmente pode se estabelecer apesar de todo o esforço dos projetistas e operadores para evitá-lo. Os estudos e análises de segurança podem contribuir para investigar os possíveis cenários de vazamento e suas consequências. Um problema típico é o vazamento de óleo em rios e baías, contaminando a água, praias, fauna e flora.

Estudo FSA – Full Safety Analysis


Estudos do tipo FSA – Full Safety Analysis são elaborados através de esforços para reunir numa só ferramenta de simulação os resultados apurados em vários estudos de segurança e análise de riscos. O objetivo é agrupar os dados cientificamente obtidos em vários estudos e analisá-los em conjunto numa ferramenta que permita manter a validade dos dados e gerar simulações mais completas, com resultados mais próximos da realidade operacional. Pesquisadores ainda trabalham no desenvolvimento de softwares e ferramentas computacionais capazes de lidar com tantos dados e funções ao mesmo tempo. Mas já existem análises desse tipo realizadas para instalações da indústria de óleo e gás como plataformas offshore de última geração.


EVI (simulador). Cortesia Safety-at-Sea, Glasgow UK, http://www.safety-at-sea.co.uk/.
O sucesso de um empreendimento tecnológico está associado ao respeito aos fatores humanos, ambientais, econômicos e sociais que estão sob sua influência. Bons valores estabelecem a boa Cultura de Segurança !